Enfim, a primeira visita técnica começou…

A visita técnica a Goiânia marcou um ponto importante da minha formação como guia de turismo: o momento em que a cidade deixou de ser apenas cenário e passou a ser leitura constante. Goiânia não se apresenta como um destino óbvio para muitos turistas, mas é exatamente aí que mora o aprendizado. Para mim, que sou servidora do Estado de Goiás, Goiânia é sinônimo de trabalho, mas dessa vez, consegui enxergar com outros olhos.


Circular pela capital goiana foi um exercício intenso de observação. Fluxo de pessoas, deslocamentos longos, horários apertados, trânsito, tempo de permanência em cada atrativo. Tudo isso exige do guia de turismo muito mais do que conhecimento histórico: exige planejamento, tomada de decisão rápida e cuidado com o grupo.



Um episódio que ficou muito claro nessa viagem foi perceber o quanto a logística interfere diretamente na experiência do visitante. Um pequeno atraso muda todo o roteiro. Um deslocamento mal calculado cansa o grupo. Goiânia ensinou, na prática, que o guia precisa dominar o território como quem lê um mapa vivo.

Essa vivência reforçou algo que compartilhei também no Instagram: quando a gente passa a estudar turismo, caminhar por uma cidade nunca mais é a mesma coisa. Cada esquina vira análise. Cada deslocamento vira aprendizado.

Trindade foi uma das experiências mais simbólicas e sensíveis de todo o curso. Vivenciar o turismo religioso no principal destino de fé de Goiás trouxe um aprendizado que nenhum livro ensina completamente: o da escuta.


Não me canso de dizer que ter tido a Izabella Luzia (a de camiseta branca na foto dos guias) como nossa guia em Goiânia e Trindade fez toda a diferencia. Ela é a Presidente do Sindicato de Guias de Turismo do Estado de Goiás e a ver atuando mostra o quanto é importante essa profissão.

Desde a chegada, a atmosfera da cidade já sinaliza que ali o turismo acontece de outra forma. Não é sobre monumentos ou datas históricas apenas. É sobre fé, promessa, devoção e emoção. Um episódio marcante foi observar o comportamento dos visitantes: muitos em silêncio, outros emocionados, alguns pagando promessas. Ali ficou claro que o guia precisa saber quando falar, mas também quando não falar.

Essa visita ensinou que, no turismo religioso, o protagonismo não é do guia. O papel profissional está em organizar fluxos, orientar com respeito, garantir segurança e permitir que cada visitante viva sua experiência da forma mais íntima possível.


Trindade mostrou que guiar também é um exercício de humildade e empatia.

